Descobrindo meus fractais

A parte pelo todo, o todo pela parte? Fragmentos irregulares de mim mesma…

Reflexões de uma pessoa saindo da crise

Muitas vezes a gente acaba refletindo sobre uma coisa ou outra que não está indo bem na vida. Coisas que a gente quer e pode mudar e outras tantas que sequer estão ao nosso alcance, mas que invariavelmente a gente gostaria que fossem diferentes. Para além das impossibilidades práticas dos contrafactuais (como saber o que poderia ter acontecido se eu (não) tivesse feito isso ou aquilo?), o exercício acaba sendo útil para trabalhar a forma como nos comportaremos em circunstâncias semelhantes. E para além das infinitas resoluções de mudança que constantemente fazemos e não cumprimos, acho que uma hora essas intenções acabam se fixando como uma nova forma de pensamento (ou seria o contrário?). E aí a gente de fato deixa de querer levar a vida que está tendo e passa a querer transformá-la para ser quem se quer ser e ter a vida que se quer ter. Que a pessoa só muda mesmo se ela quiser, todo mundo sabe. Mas não é trivial perceber onde a mudança deve ser feita, qual a raiz do problema, por onde começar, essas coisas todas. Pode durar muitas terapias. Passar por muitos altos e baixos. E como a gente sempre muda, isso aí nunca acaba. Viver inclui esse processo todo. Alguns passam por ele com mais facilidade do que outros. Cada um lida com seus problemas de uma forma diferente. Só isso. E eu acho que estou, finalmente, resolvendo os meus.

Coisas que podem dar errado na pós-graduação

Existem diversos bons motivos para se iniciar uma pós-graduação. Independente de qual seja o seu, chances são de que muita coisa dê errado no meio do caminho e que você se arrependa amargamente de ter feito essa escolha. É a velha Lei de Murphy, o melhor amigo dos pós-graduandos. Mas, veja bem, hay que endurecerse – ou qualquer clichê do tipo.

A primeira coisa que pode dar errado é uma má escolha de programa. Uma instituição que não é forte na área de seu interesse, não tem disciplinas relacionadas ao que você quer estudar, não tem um orientador que entende do assunto ou uma trágica combinação disso tudo grita “reveja o sonhado projeto e escreva algo mais realista”. Do contrário, com alta probabilidade, ele será feito única e exclusivamente quebrando a sua própria cabeça, repetidas vezes.

Iniciado o curso, você se verá em um ambiente repleto de disciplinas para estudar, monitoria para dar, exercícios e provas para elaborar e corrigir, seminários que nem te interessam para ver, congressos para frequentar, reembolsos que são recebidos com meses de atraso e… esqueci alguma coisa? Ah, sim! Artigos para produzir e publicar. A academia funciona na base do publish or perish, publique ou pereça, e não é você que vai mudar isso, se quiser se manter no meio. Ou será que…

A rotina é intensa e você com frequência se esquece até mesmo do dia da semana em que está e sonha com alguns dias de folga para, enfim, viajar e visitar a família, o(a) namorado(a), o animal de estimação, a praia… Êpa, êpa, êpa! Sabe aquela perguntinha clássica “você trabalha ou só estuda?”. Então, a resposta é: estudante de pós-graduação não trabalha. Logo, não tem férias.

Na tentativa de dar conta de tudo você acaba deixando o seu trabalho final para o último momento, quando você acha (oh, ingenuidade!) que terá tempo para se dedicar a ele. Você encara uma literatura mais complexa do que esperava, dados difíceis de obter ou que simplesmente não estão em lugar nenhum, dados que você tinha e que não serão mais úteis (retrabalho é o que há!), sites que resolvem ficar fora do ar quando você mais precisa, orientador que não responde, perdas súbitas de conexão com a internet, computador desligando sozinho, HD queimado… com sorte, pelo menos, não terá nada roubado.

Sua vontade de desistir aumenta cada dia mais, mas como você não quer simplesmente jogar fora o tempo já dedicado, continua na luta. Nada tema! Superados os percalços, sua defesa será realizada com relativa tranquilidade. Mesmo com aqueles sonhos terríveis de perseguição e apresentações desastrosas, você ficou tanto tempo estudando o assunto que deve dominá-lo. Se necessário, faça algum tipo de relaxamento para que seu estômago não consuma os demais órgãos do seu corpo e suas mãos não passem a impressão de Parkinson precoce. Mas não exagere no consumo de calmantes, pois é preciso ser capaz de entender o que é dito na banca e dizer frases coerentes.

Depois que o trabalho for aprovado e você fizer as correções sugeridas, poderá, enfim, dizer: sobrevivi!

* Isto é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência (cof cof)

Sobre regimes loucos

Fazer dietas e regimes loucos nunca foi o meu forte. Não por não conseguir segui-los – na verdade, nunca tentei -, mas por achar que não é o caminho mais adequado para se perder peso. Acho besteira fazer dietas malucas, perder alguns quilos e depois voltar pro hábito alimentar de antigamente. Na minha cabeça, não tem como isso dar certo. Sem contar que eu acho extremamente necessário ter uma alimentação variada. Sempre vemos controvérsias nutricionais a respeito dos alimentos. Em um momento todos dizem pra comer o alimento X, depois surgem alegações de que o consumo em excesso também pode fazer mal. Na dúvida, prefiro comer um pouquinho de tudo (desde que seja vegetariano).

Recentemente, vieram dois links na minha timeline com debates a respeito de comida. Os dois estão em inglês, aqui e aqui. Pra quem não entende inglês, vai um resumo. No primeiro link, criticam-se dois clichês: “uma caloria é uma caloria” e “você é o que você come”. Nem precisa fazer muito esforço pra entender o primeiro ponto, pois os alimentos são absorvidos no organismo de forma diferenciada e acho que não há ninguém com consciência pra defender que uma caloria de junk food tem o mesmo valor que uma caloria de salada. O outro ponto é que, se somos o que comemos, então, podemos escolher o que comemos – o que também não é verdade. A substituição proposta foi: você é o que você faz com o que você come, ou seja, a forma como combina os seus alimentos.

O segundo link é a primeira parte de um podcast da rádio Freakonomics (dos autores do livro homônimo). Comenta-se sobre como a realidade americana tem uns sofrendo de insegurança alimentar (não ter o suficiente pra comer) e muitos mais de obesidade. Falam então da industrialização da comida: produção em larga escala, em uma forma com boa capacidade de armazenamento e trasporte e com forma de preparo conveniente para o estilo de vida da população (pré-prontos, por exemplo). Se, por um lado, essa industrialização pode ter levado a piora na qualidade dos alimentos; por outro, foi capaz de levar (e manter) alimentos para grande parte da população. Então, fica aí um debate sobre até que ponto é interessante favorecer a produção local e condenar inovações tecnológicas da industrialização.

Pra mim, quem está precisando emagrecer um pouquinho, não precisa, nem deve (a menos que sob orientação médica confiável) fazer dietas loucas.

Creio que uma boa proposta deve seguir o seguinte:

  • comer menos em cada refeição
  • continuar comendo de tudo, mas reduzir a quantidade dos alimentos pouco saudáveis (como alguns industrializados, óleo, margarina e açúcar)
  • fazer o café da manhã “caber” em um prato de sobremesa
  • tentar manter um almoço equilibrado, com 2 cs de arroz, 2 cs de feijão e o restante de salada
  • tentar usar menos óleo ao cozinhar, reduzir o consumo de “margarina vegetal” no café da manhã
  • reduzir o consumo de refrigerante
  • levar frutas e barras de cereais feitas em casa pra comer na rua, evitando o consumo de alguns industrializados pouco saudáveis (como chips)
  • comer mais refeições ao longo do dia, com intervalo de aproximadamente 3h entre cada uma (a ideia era café + refeição leve + almoço + refeição leve + janta/lanche + refeição leve)
  • não comer nada pesado 2h antes de dormir

Você não tem ideia de como ter uma alimentação saudável, vegetariana e gostosa? Aí vão algumas dicas que podem te ajudar:

Anatomia de uma salada – dica da Sandra Guimarães  sobre como elaborar saladas-refeição. Quando chegar lá, veja o restante do blog, também. São várias outras dicas, quase sempre com comentários sobre aspectos nutricionais.

Pratto do dia –  Sim, o blog foi abandonado desde setembro de 2009! Uma pena, porque, quando eu entrei na dieta vegana, foi um dos blogs que mais me ajudou a diversificar meus almoços com coisas fáceis de preparar. De qualquer forma, acho que vale a pena dar uma olhada nos posts antigos.

A delícia de viver o que acredita –  Foi nesse blog que eu aprendi a fazer o hambúrguer de lentilha que faz sucesso aqui em casa e quebra um galhão quando a correria aperta e o almoço fica por um fio de ficar sem graça.

Receitas Éticas 2 – Tem a versão 1 e a 2. Não cozinho muito a partir desse blog, mas são tantas receitas, com fotos tão apetitosas, que tive vontade de compartilhar.

Bom, existem diversos blogs legais por aí, bastar dar um google. Algumas outras sugestões são: Brazil Nut,  Karuna Purna, Veg Chica, La Chica Vegana, Cantinho Vegetariano e VegVida. Em geral, o que eu faço é partir de algum ingrediente ou prato que eu queira fazer e jogar no google pra ver o que eu acho. Ou entrar nesses blogs e ver se tem alguma receita que eu poderia fazer com o que eu tenho em casa. Raramente sigo medidas para pratos salgados (com algumas exceções, como massas), pois prefiro ver o que usa, mais ou menos a proporção dos ingredientes e fazer o prato dentro do meu gosto.

A mágica dos 15 minutos

Achei curioso quando o Valor Econômico divulgou, ontem (22/05), que os brasileiros são os mais adeptos das listas de afazeres

A principal causa de não conseguir completar as tarefas definidas no início do dia costuma ser o surgimento de afazeres não planejados, como telefonemas, e-mails e reuniões não programadas. No Brasil, 40% dizem dividir o dia igualmente entre os afazeres planejados e os inesperados. Um número similar (41%) diz passar a maior parte do tempo nas tarefas programadas – o terceiro maior índice em todo o mundo. O Brasil também registrou que 23% dos profissionais dizem conseguir realizar todas as tarefas planejadas diariamente, o dobro da média mundial.

Por outro lado, também divulgou, hoje, com o título Você ainda tem tempo pra pensar?, um apelo:

Comece já a se livrar da síndrome do fazer e fazer e fazer. Pare um minuto para uma análise crítica, e certamente você encontrará respostas surpreendentes. Claro que “um minuto” é força de expressão, pode ser necessário um pouco mais. Mas você pode criar seu tempo. Pense nisso.

O que diferencia uma organização de outra está ligado a isso. Até que ponto adianta conseguir se organizar pra cumprir listas e listas de tarefas, se elas não estão relacionadas a um objetivo maior? Se você não consegue pensar, definir prioridades e realmente tomar decisões um pouco melhores? Quem nunca incluiu nessa listinha aquelas tarefas que você com certeza já ia fazer, só pra ter a sensação de ter cumprido alguma coisa?

Eu gosto muito de aprender novas técnicas de organização, porque eu acho que nem sempre determinada técnica é aplicável a qualquer situação e prefiro estar munida de várias delas. Li em algum lugar (sorry, não lembro onde), que a gente pode se perder nisso também. Começar diversas técnicas, ou fazer anotações em diversos meios e, no final, não ter conseguido grandes melhorias de organização – ou, como tinha sido dito lá, não seguir sistema nenhum, porque está tudo muito disperso. A Thais Godinho, do blog Vida Organizada, postou uma vez sobre como ela aplica o método GTD (Getting Things Done) e utiliza a ferramenta Toodledo pra se organizar. Vale o clique. Eu li, gostei e tentei utilizar a ferramenta. Achei especialmente interessante o fato de ter as listas de objetivos,  pra gente relacionar as atividades aos objetivos e os objetos de curto e longo prazo aos objetivos de vida. Achei interessante, mas ainda não estou implantando.

Eu sou uma brasileira adepta das listas, das resoluções de ano novo e do pensamento “onde eu quero chegar daqui x anos?”. Eu estou sempre refletindo e costumava fazer uma lista em papel com algumas coisas que eu queria realizar. Mas no papel, os objetivos de longo prazo acabam se perdendo. Por exemplo, eu quero obter algum certificado de proficiência em inglês. Isso ia pra listinha, mas ficava lá, sozinho, porque não é prioridade agora e eu acabava me concentrando nas prioridades. Não tinha um prazo pra acontecer e não fazia nada para melhorar o inglês até lá. Por isso que a análise de objetivos e tarefas tem que ficar casada. É importante tomar decisões baseadas na ideia de que aquilo deve me ajudar a chegar onde eu quero (ou, em alguns casos, é simplesmente inevitável e precisa ser feito). De qualquer forma, ainda não estou utilizando o toodledo plenamente, mas pretendo, caso ele realmente se mostre útil para a minha realidade.

Mas eu fiz essa volta toda pra falar de um técnica específica que eu, de certa forma já conhecia, mas é constantemente reforçada pela Thais Godinho.  Sempre que eu estou lutando com problemas de procrastinação porque a atividade é chata ou difícil, eu procuro usar um timer (frequentemente o contador regressivo do celular), pra aplicar a Técnica de Pomodoro, que consiste em dividir as tarefas em ciclos de 25 minutos. É mais fácil vencer uma barreira de começar alguma atividade se ela for dividida em ciclos mais simples que podem ser iniciados e concluídos rapidamente.

A grande sacada é usar esse tipo de técnica na organização da casa, também. A Thais fala muito sobre como a gente pode deixar a casa mais organizada usando apenas 15 minutinhos do dia. 15 minutos não é tão difícil de arrumar, mesmo nas rotinas corridas. Eu fiz o teste e percebi como dá pra fazer muita coisa nesse tempo. Eu me mudei e estava com muita papelada da faculdade e fui fazendo a arrumação delas usando esse tempo. Quer dizer, num dia eu fiz a arrumação dos sapatos, depois fiz uma limpeza no quarto, troquei algumas coisas de lugar, etc. Teve um dia que a parte externa estava toda arrumada. Foi aí que eu resolvi encarar uma parte da papelada que estava no maleiro, pra ver se podia jogar alguma coisa fora, doar alguns livros didáticos dos tempos de escola, separar o que eu queria guardar, etc.

Quando vi que dava certo, sai divulgando pra família toda! Dá certo porque é pouco tempo. E porque, tendo uma rotina de separar 15 minutos pra arrumar as coisas, você acaba se condicionando a manter tudo no devido lugar (pra quê deixar a roupa amarrotada na cadeira, se amanhã você terá que dobrá-la pra guardar ou levar pro cesto de roupa suja?). Acho que esses 15 minutinhos são mágicos e colocam a organização sob outra perspectiva.

Resolvi, então, implantar a ideia em outras coisas, também. Eu assino duas revistas, ambas mensais, e estava vendo elas se acumularem sem serem lidas. Resolvi, então, separar 15 minutos pra leitura de cada revista. Se a reportagem estiver quase no fim e o tempo tiver acabado, eu termino. Caso contrário, vou até algum ponto de conclusão (naqueles parágrafos espaçados) e paro. No dia seguinte, retomo de onde parei. Com isso, já consegui concluir uma das revistas e a outra está quase no fim, antes da chegada das próximas! Ok, nisso eu já estou com 45min do meu dia dedicados a arrumação e leitura. Se pra você é muito tempo, faça alguma adaptação. Coloque arrumação num dia e leitura no outro, por exemplo.

Eu normalmente consigo acordar, me vestir, tomar o café e lavar a louça do café em cerca de 15 minutos, também. Dá pra lavar e guardar a louça do almoço com 15 minutos. É algo que eu não fico cronometrando, mas chamou a atenção. 15min também é tempo suficiente pra tomar banho, passar um hidrante no corpo e me vestir. Em 15min eu consigo fazer um bom alongamento/relaxamento depois de 30min de esteira. Com 15min eu posso pensar na agenda de atividades do dia.

Se eu fizer tudo isso aí que eu falei anteriomente, já consumi 2h30 do dia. E nem considerei o tempo de almoçar/jantar ou preparar essas refeições. Quer dizer, na média, as pessoas passam 8h trabalhando e 8h dormindo. As 8h que restam precisam ser aproveitadas, não é mesmo?  Uma parte do nosso tempo vai pra essas pequenas tarefas. Mas se a gente se organiza, esse gasto de tempo pode significar outras melhorias. No caso da organização da casa, por exemplo, é mais fácil ter 15min pra manter a arrumação do que ter que tirar um dia inteiro pra fazer isso (e aguentar cansaço e dores nas costas depois).

Tem muita coisa que dá pra fazer em 15 min. Eu achei isso super legal. Técnica aprendida, agora só não dá pra ficar bitolada, andando por aí com o timer na mão pra tudo!

Escolhas e caminhos

“Bichano de Cheshire”, começou, muito tímida, pois não estava nada certa de que esse nome iria agradá-lo; mas ele só abriu um pouco mais o sorriso. “Bom, até agora ele está satisfeito”, pensou e continuou: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?”

“Depende bastante de para onde quer ir”, respondeu o Gato.

“Não me importa muito para onde”, disse Alice.

“Então não importa que caminho tome”, disse o Gato.

“Contanto que eu chegue a algum lugar”, Alice acrescentou à guisa de explicação.

“Oh, isso você certamente vai conseguir”, afirmou o Gato, “desde que ande o bastante”.

(Alice no País das Maravilhas, páginas 76 e 77, Editora Zahar)

Nesses últimos dias, alguns amigos, em contextos diferentes, fizeram referência a “encontrar o caminho”, no Facebook. Eu me identifiquei com tudo e, quando alguém compartilhou a imagem ao lado eu me lembrei (além do Drummond) da conversa da Alice com o Gato, que coloquei acima.

De vez em quando, a gente pensa na vida e percebe que pegou uma rua sem saída, que está andando em círculos, que anda há muito tempo e não chegou a lugar algum ou, ainda, que chegou a uma encruzilhada e precisa ver qual direção tomar.

Quando a gente chega num ponto sem saída, o jeito é voltar um pouco e pegar outra rota, por mais difícil que seja fazer isso.  E aí, depois de lidar com a frustração e voltar para um ponto com outras escolhas, qual caminho escolher? Isso raramente é simples. Raramente é óbvio.

Sempre ouvimos que o importante é fazer o que a gente gosta, mas não existe nenhuma fórmula para descobrir o que a gente gosta de fazer. Se alguém achar alguma, compartilha! E, querendo ou não, precisamos pagar contas e nos alimentar (e, eventualmente, alimentar outras pessoas também). Então, muitas vezes, o que a gente gosta de fazer precisa ser acompanhado por algo que a gente não gosta tanto (é bom que a gente, pelo menos, não odeio), mas que nos dê condições de viver confortavelmente.  Pelo menos até o que a gente gostar ser capaz de cumprir esse papel.

Outras vezes, a gente acha que gosta de alguma coisa e toma um caminho, confiante de que é o caminho certo. Mas deixa de gostar tanto, ou encontra alguma coisa melhor e passa a querer outros caminhos. Por isso, eu penso que a gente acaba encontrando algum caminho, mas, depois de um tempo, a gente começa a procurar outros, porque a gente não para e o mundo também não (por mais clichê que soe). E aí a gente precisa lidar com isso, tentando pensar que o fato de termos escolhas é uma coisa boa. Significa que estamos preparados para mais de uma possibilidade, que não estamos presos a um caminho só, que temos algum controle (mesmo que muito pequeno) sobre as nossas vidas. É bom pensar nisso no momento da escolha, porque a dificuldade de decidir pode muitas vezes nos paralisar…

Como ter “dias maiores”

Eu não tenho tempo, preciso de dias maiores! – esta aí uma frase que todos devem ouvir ou dizer muitas vezes. As alternativas são basicamente três: (1) dormir menos, (2) melhorar a organização da agenda e (3) reduzir o número de atividades realizadas.

Reduzir o horário do sono é geralmente a primeira alternativa implantada pelas pessoas que estão  cheias de coisas pra fazer. Obviamente, isso pode ser um tiro no próprio pé, pois pode criar danos para a saúde, elevar o estresse, reduzir a concentração, etc. Eu acho muito importante cada um se conhecer, pra entender qual é o mínimo de sono que precisa ter por noite. Eu, por exemplo, sei que meu ideal são 8h. Dá até pra dormir 7h30 por alguns dias, mas menos que isso é péssimo. Fico muito irritada e parece que nem raciocino. Então, pra mim, excesso de atividades e falta de tempo precisam ser “consertados” por outras vias, como a redução do número de atividades ou melhorando o aproveitamento ao longo do dia (ou seja, ficando mais eficiente no que faço).

Bom, reduzir o número de atividades nem sempre é possível, mas em alguns casos é a solução óbvia e necessária. Às vezes, a gente simplesmente se compromete com mais coisas do que consegue gerenciar, ou algumas atividades começam a demandar mais atenção do que inicialmente foi previsto. Ou, ainda, algumas atividades pode ser desnecessárias para nosso objetivo de vida. Nesses casos, pode ser válido cortar alguma coisa aqui ou ali.

Mas, em geral, dá pra conseguir melhorias significativas se a gente prestar mais atenção à rotina e à forma como organizamos o tempo. E eu sou da opinião que qualquer pessoa pode ser organizada e disciplinada, porque geralmente é assim pra alguma coisa específica. Tem gente que não deixa nenhuma roupa fora do lugar (um tipo de disciplina), ou consegue seguir uma dieta restrita (outro tipo), ter uma rotina de atividades físicas diariamente cumprida (mais um) ou sempre ler antes de dormir (não é uma disciplina?), mas não se acha organizado ou disciplinado. Eu poderia seguir com mais exemplos, mas acho que já dá pra entender o ponto em que quero chegar. Se você é organizado(a) em alguma coisa, é útil perceber isso e entender que essa mesma organização pode ser aplicada em outras coisas.

Pois bem. Voltamos ao assunto original do post: como se organizar melhor, pra aproveitar melhor o tempo? Aí vão algumas dicas, de alguém que não é expert no assunto, mas que tem uma quedinha bem forte por técnicas de organização, especialmente de tempo:

Conhecer as atividades diárias e suas características

A dica número 1 é conhecer as atividades que costuma fazer e, principalmente, quanto tempo, aproximadamente, cada uma necessita ou, em outros casos, quanto tempo você gostaria de dedicar a elas. Por exemplo, você precisa cuidar da sua cozinha, fazer almoço, lavar e guardar a louça. Quanto tempo isso costuma demorar?

Além disso, é muito interessante e útil entender quais atividades precisam ser cumpridas do começo ao fim e quais podem ou precisam ser dividas. Existem atividades que precisam ser divididas em tarefas menores, porque não podem ser cumpridas em um único dia ou exigem tanta atenção e esforço que, se feitas ininterruptamente, provocariam muito cansaço e não teriam um rendimento tão bom.

Nessa mesma linha de raciocínio, vale a pena entender o que pode ser feito simultaneamente. Por exemplo, enquanto você lava a louça, dá pra ouvir notícias de jornal, por exemplo. Ou mesmo música, associando o lazer à obrigação. Duas coisas que eu tenho feito: enquanto faço esteira, assisto a algumas aulas de uns cursos online que estou fazendo e, enquanto viajo (diariamente, pra faculdade), leio um livro ou escuto alguma coisa no mp3. E, se estou muito cansada, obviamente, aproveito o ônibus pra compensar um período de sono pouco revigorante.

Esquecer a ideia de que toda atividade precisa ser concluída assim que iniciada

Como já falei no tópido anterior, algumas atividades precisam ou podem ser divididas. Algumas atividades podem ser divididas a tal ponto que ficam perfeitas pra serem encaixadas nos intervalos entre uma grande atividade e outra. É essa a ideia do livrinho na bolsa, pra ser lido nos momentos de espera. É ótimo poder pegar um livro e lê-lo sem parar, mas também é possível apreciar leituras em intervalos.

Em termos de estudo, dá pra resolver alguns exercícios de uma lista, ler alguns tópicos  ou revisar anotações nesses pequenos períodos, mas, o que a gente costuma ver é a pessoa esperando ter um período maior pra poder fazer tudo. “Quando eu começar a entender o assunto, terei que parar”. Mas aí, quando você tem um período maior pra fazer tudo, normalmente vem “depois de 1h, eu preciso de um intervalo”. Ou seja, talvez tivesse sido mais interessante iniciar nos períodos menores, mesmo que depois fosse necessário revisar (não refazer) o que foi feito.

Um caso similar a esse é o da atividade física. Você vai pra academia e recebe uma ficha que tem, sei lá, 1h de esteira. Determinado dia você chega mais tarde e só teria 40 minutos pra esteira. Resolve ficar em casa, afinal, não ia dar pra fazer tudo. Mas a realidade vai se repetindo e quando você se dá conta, voltou à vida sedentária. Esse foi um pouco o meu caso e eu resolvi fazer 30 minutos de esteira por dia, porque é um tempo que não me atrapalha tanto (ainda mais acompanhado dos cursos online). E se não dá pra fazer 30, mas dá pra fazer 20, eu faço. Tenho a ideia de que é melhor 20 minutos do que nenhum. E é melhor me comprometer aos 30 que eu consigo fazer do que aos 60 que acabariam virando nenhum.

Buscar outras formas de realizar as atividades

Em diversas situações, a gente perde tempo porque cumpre as atividades de forma pouco eficiente. Dou um exemplo de estudo, que é o mais próximo, no momento. Quando a gente procura sobre técnicas de estudo e de leitura, às vezes a gente encontra um método que envolve (1) uma passada rápida pelos títulos, pra entender do que se trata, (2) uma leitura superficial, (3) uma leitura mais atenta, incluindo grifos, (4) anotações e (5) revisões das anotações. Tudo lindo e maravilhoso, grandes chances de garantir o aprendizado. Mas pra colocar em prática, leva muito tempo. E se você tem pilhas e pilhas de textos se acumulando, não dá pra ser tão minucioso com tudo. A alternativa? Aprender a ler com mais atenção, pra absover o conteúdo sem tantos passos. E é claro que isso não é fácil de implantar e que a gente não aprende do dia pra noite, mas exige prática e vontade (muitas vezes ligada a uma grande necessidade). Mas é algo a se considerar.

Em outras situações, a organização também ajuda a aumentar essa eficiência. Ter um lugar certo pra guardar as coisas evita a perda de tempo procurando por elas e a “chateação” de ficar em um ambiente sobrecarregado/bagunçado. Além disso, manter os objetos organizados, evita a perda de tempo para organizá-los, depois. Isso também vale para arquivos no computador, por exemplo. É melhor ter pastas (como nomes adequados) e salvar os arquivos diretamente em suas pastas do que ir salvando tudo em qualquer lugar e depois ficar doido porque não sabe onde foi parar ou com que nome foi salvo.

Organizar as atividades em um cronograma / agenda / lista

Agendas, listas e cronogramas são suportes para a organização que eu uso conforme preciso. Tenho uma agenda, mas, às vezes, as listas me ajudam mais. Ou a quantidade de atividades obrigatórias é tanta que eu preciso fazer um cronograma pra não me perder (uso uma planilha no excel, para a semana, com os horários divididos de 30 em 30 minutos, com marcações menores de 10 em 10).

Os três se complementam e podem ser usados simultaneamente. A vantagem da agenda é não te fazer perder algum compromisso extraordinário; do cronograma fixo é saber quais atividades precisam ser feitas em quais horários e das listas é ter uma ideia geral do que precisa ser feito (e, super importante, do que já foi).

Eu acabo escrevendo, no domingo, uma lista de atividades para a semana. Então, eu tento distribuí-las ao longo dos dias, na agenda. Quando eu cumpro, risco. Se não tiver cumprido ao final do dia, coloco alguma marcação (uma seta, ou um P, de pendente). A atividade não cumprida passa para outro dia e, quando feita, é riscada lá no primeiro dia dela, também. Isso me ajuda a ter um controle do meu compromisso e do planejamento (às vezes eu não cumpro porque subestimei os tempos das atividades e isso leva a uma revisão).

Também gosto de usar duas cores na agenda (vermelho para anotar os eventos nas datas máximas de entrega e azul/preto para as listas do dia). Assim eu evito perder prazos, já que nem sempre toda a lista de afazeres do dia é cumprida.

Aliás, nem sempre tudo sai como esperado e existem períodos de completa desorganização (normalmente, seguidos por um retorno à agenda e às listas), mas eu acho legal conhecer as possibilidades pra ter ao que recorrer. Inclusive, existem diversos tipos de agenda e você pode encontrar alguma que mais se adapta as suas necessidades.

Tenha flexibilidade no planejamento

Depois de já ter pensando em tudo isso, no tempo que as atividades demandam e em quais horários elas serão feitas, é importante dizer que também é preciso ter um planejamento flexível. Imprevistos acontecem e é melhor quando a gente está preparado para lidar com eles. Agora, como ter flexibilidade? Uma possibilidade é incluir um período do dia de “reserva” pro que não pode ser cumprido no horário específico. Outra é não ser super rígido na definição dos horários por atividade (colocar 2h pra “cozinha”, em vez de 1h para fazer almoço e 1h pra arrumar). Mesmo que sejam feitas estatísticas dos horários, ficar muito bitolado/sistemático, pode trazer mais estresse do que benefícios. E o objetivo de ser mais organizado é melhorar a qualidade de vida, não piorá-la.

Também é importante, para ter um planejamento flexível, assumir posturas realistas em relação ao prazo necessário para cumprimento de cada tarefa. Se você tem 5 dias para cumpri-la e acha que pode cumpri-la em 3, deixando pra fazer nos últimos 3 dias, mas erra, precisando de 4 dias, você poderá ter problemas. E aí são duas questões: sempre que possível, é melhor terminar as atividades antes do prazo, para poder lidar com os imprevistos; e é melhor superestimar o tempo demandado do que subestimá-lo.

Garanta os momentos de lazer

É óbvio, todo mundo fala nisso, todo mundo precisa disso, mas às vezes a gente esquece de separar um período pro lazer, na hora que está programando as atividades. Pense no que gosta de fazer e qual seria o melhor horário pra isso. Pense se precisa de um dia completamente de folga na semana, ou se pequenos horários ao longo da semana satisfazem mais.

Disciplina no cumprimento do previsto

Tendo feito um planejamento coerente, é necessário ter disciplina para cumprir o que foi planejado. Não sei se existe uma técnica específica para isso. Comigo, o que mais funciona é pensar que aquilo que foi planejado daquela forma, o foi por algum motivo (provavelmente para não sobrecarregar outros dias), então, é melhor fazer o posssível para cumprir. Esse foi o pensamento que eu utilizei quando comecei a acordar mais cedo para fazer uma atividade específica. Quase sempre o sono vinha e era grande a tentação de desligar o despertador porque eu não precisava estar em nenhum lugar naquele horário. Estava acordando mais cedo porque rendo mais pela manhã e não por obrigação. Eu procurava pensar que, no dia anterior, o despertador tinha sido colocado para aquela hora por um motivo lógico e acabava me levantando. Era uma disputa séria entre o “eu sonolento” da manhã com o “eu racional” do dia anterior. Por mais que possa parecer estranho, funcionava. E acho que para as outras atividades, isso acontece de forma similar. Se, de repente, alguma coisa começa a parecer racionalmente inútil com frequência, pode ser hora de eliminá-la da rotina!

É claro que tem dias que são improdutivos, mas se o planejamento for flexível, um dia ou outro de improdutividade não terá um efeito tão negativo nos projetos gerais. O problema é se a improdutividade e a procrastinação começarem a virar a ordem do dia. Aí precisa parar e pensar no que está acontecendo de errado, pra corrigir a situação antes que o problema saia do controle.

Cautela na aplicação das estratégias de organização

Enfim, técnicas de organização não são regrinhas de bolso que a gente lê e já pode sair aplicando. Elas exigem um processo de reflexão e autoconhecimento, porque cada pessoa age de uma forma e tem uma realidade específica para qual a regra deverá ser adaptada (se for o caso).

Estou meio sem tempo (rs) para procurar links de sites bacanudos sobre o tema, mas espero que possa ter sido útil a quem ler o post! Boa sorte!

Fractais, no Obvious

Dois posts hoje! Porque eu entrei no twitter e vi um post no Obvious com umas imagens maravilhosas de fractais! E este blog não recebe o nome Descobrindo meus Fractais por outro motivo, senão essas belezuras da geometria.

Alex no País dos Números – Alex Bellos

Lá em meados de 2011, no auge da minha participação em promoções e sorteios de livros no twitter, surgiu uma promo no perfil da Companhia das Letras. E aconteceu de eu estar na hora certa no twitter, porque era daquelas promos relâmpagos, em que você tem que ser um dos primeiros a dar a resposta certa para determinada pergunta. Quando o prêmio só vai para o primeiro palpite correto, eu geralmente nem participo, porque minha internet não é rápida o bastante. Mas naquele caso era diferente. O livro sorteado era o Alex no País dos Números e a pergunta era um desafio de dizer qual era, pela ordem alfabética, o segundo número dos naturais. Acho que eram 3 ou 4 premiados. E eu ainda consegui ser a primeira a dar a resposta correta. (yay!)

Quando o livro chegou dos correios, foi aquela felicidade. O livro veio com uma dedicatória do autor “Parabéns! Um abraço. Alex Bellos”. Um mimo! Mas aí entraram outras leituras na ordem do dia. E a faculdade ficou apertada e aquela história toda de falta de tempo, que quase todo mundo já disse um dia. Não que eu tenha lido pouco no ano passado, muito pelo contrário. Consegui voltar e ter um ritmo de leitura, sem ficar muito tempo sem um livro na bolsa, pronto pra ser lido em qualquer sala de espera de médico ou fila de banco. O fato é que com tantos livros pra ler, que eu fui comprando, ganhando ou trocando, Alex no País dos Números foi sendo deixado de lado.

E eis que 2012 se inicia pra salvar o livro! Fui aprovada pra faculdade de matemática e começar a faculdade em uma cidade próxima (ou seja, indo e voltando de busão, diariamente) tem se mostrado um prato cheio pra leitura. E o livro estava lá na estante, desesperado para ser lido e me dar ainda mais motivação para o curso.

Alex no País dos Números é um livro maravilhoso. É fácil ler, não dá vontade de parar e ainda traz muitas, muitas, curiosidades sobre a matemática. E, de quebra, ainda pude fazer uma introdução, ou, às vezes, revisão, a alguns temas que já estava vendo neste primeiro período.

Sempre que vejo um livro que fala sobre muitas coisas, fico com aquele medo de o autor perder a mão em algumas coisas e acabar não falando nada de nada. Esse problema passou longe desse livro. Na minha opinião, tudo foi comentado na medida certa para dar curiosidade para ler e não ficar cansativo. 490 páginas que eu quero ter na estante, pra consultar a qualquer momento. Feliz do dia que eu ganhei aquela promoção!

 

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 512
Tradução: Berilo Vargas e Claudio Carina
Publicado originalmente em: 2010
Publicado no Brasil em: 2011

 

O que é o amor?

Amor é um livrinho do Snoopy cheio de definições de amor. Vejam, vejam, vejam!

W.G. Sebald

Na mesma época que comprei Liquidação, do Kertész (apresentado aqui), eu comprei Austerlitz, de W. G. Sebald. Mas tive um estranhamento com a leitura. A edição, feita pela Companhia das Letras, apresenta várias frases (muitas delas enormes) não traduzidas. E para além do português, pra mim, só dá o inglês e, capengamente, o portunhol. Somando ao fato de que o livro não tem parágrafos, ou capítulos, ou mesmo muitas frases (são sempre muito longas), esse estranhamento prejudicou a leitura. E talvez eu simplesmente não morra de amores por textos muito descritivos… Mas foi aquela coisa que eu não gostei tanto, mas achei curioso. Emprestei o livro a uma amiga, que leu e ficou apaixonada. Na dúvida, em vez de colocar na estante de trocas no Skoob, eu guardei o livro para uma releitura, num futuro mais tranquilo pra esse tipo de estrutura. Com o google tradutor do lado.

Eis que essa semana, essa minha amiga (que por sinal já leu outro do autor e também gostou) compartilhou um link maravilhoso sobre Sebald.  Está na revista Serrote e foi escrito por Luciano Gatti, professor de filosofia da UNIFESP, conforme descrição no texto. Resolvi partilhá-lo aqui também. É difícil não notar algumas semelhanças com Kertész, mas os autores vão por caminhos um pouco diferentes. Quem se interessar, leia!

 (…) Sebald retoma uma questão da literatura de testemunho ao evidenciar a necessidade de contar algo que resiste até mesmo ao conceito de experiência. Embora seus personagens não sejam sobreviventes dos campos de concentração, são pessoas afetadas pela mesma dinâmica histórica que gerou expulsão e morte. Daí a caracterização do narrador como uma espécie singular de testemunha. Ele não é o indivíduo presente aos fatos que posteriormente relata a experiência passada, mas alguém que se debruça sobre histórias alheias e, num gesto de cumplicidade com a experiência alheia, recolhe e reúne os fragmentos ouvidos a distância, não raro por meio de uma cadeia de narradores aos quais ele mesmo tem apenas acesso precário. O problema dos laços avariados entre esses indivíduos e a dinâmica aterradora da história coletiva encontra apresentação literária eficaz na sucessão de narradores mobilizados para a composição de um relato.

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