Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social – Fernando Braga da Costa

por Nayara

Em agosto desse ano, vi uma palestra com Fernando Braga da Costa, autor do livro Homens Invisíveis: relatos de uma humilhação social. Como achei a palestra bem interessante, acabei comprando o livro. Pra ser sincera, não gostei tanto como pensei que ia gostar, mas a história merece ser lida e contada.

Fernando fez graduação em psicologia na USP. Uma das disciplinas cursadas propunha um trabalho de campo em que os estudantes deveriam assumir, por um dia, algum ofício que não exigisse qualificação escolar ou técnica. Ele escolheu ser gari (varredor de rua). A experiência despertou interesses de pesquisa e ele foi gari por 10 anos.  E hoje ele é mestre e doutorando em psicologia social pela USP. Bom, o livro foi resultado dessa experiência. E ele conta vários casos da experiência dele, sempre colocando alguma análise de psicologia social.

Uma das histórias contadas e que marcou muito foi o episódio do café. Fernando contou que, para beber o café, os garis pegavam latinhas de refrigerante das lixeiras. Então, cortavam as latinhas ao meio e usavam-nas como copos. E ele contou como elas estavam grudentas e sujas. Não havia higiene. Não havia boas condições. Hoje, eu vejo garis carregando algumas canecas por aí, mas não duvido que ainda existam aqueles que bebem café nas latinhas achadas no lixo.

Por que estou contando isso? Sai de casa hoje bem cedo. E no caminho, vi vários garis. A rotina de trabalho ia começar e aqueles homens e mulheres  se separavam pelas ruas. Continuei andando e vi um grupinho amontoado. Mais adiante, vi um rapaz carregando algumas coisas. E vi uma mulher com uma faca bem simples, abrindo cocos. E outra mulher, em pé, com uma expressão de felicidade de quem ganha um presente caro. E, não vou dizer com toda certeza que eu vi o rapaz retirando os cocos do lixo, mas foi o que pareceu. A felicidade do dia para aqueles garis foi o coco jogado fora pelas famílias do bairro. Devia ter olhado novamente, mas a realidade que pensei ter visto não é improvável.

 

Editora: Globo
Número de páginas: 256
Gênero: Ensaio

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